quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vidas Sem Rumo

Vidas Sem Rumo não é só um livro voltado para o público jovem, ele é uma obra que retrata a realidade de uma sociedade. Escrito por Susan E. Hinton, quando tinha apenas 16 anos, foi publicado em 1967 e, futuramente, filmado - por Francis Ford Coppola - em 1983. A história se passa em Tulsa, Oklahoma, onde a autora nasceu. A escrita é modesta, sem pompa, de fácil interpretação. E o livro é envolvente, segue um fluxo de ideias, sem pausas, o que faz com que o leitor se prenda à leitura. Não é a toa que o livro se tornou um best-seller, conquistando o mundo e ultrapassando a barreira do tempo.
Ponyboy o protagonista da história, pertence a gangue dos greasers, os menos apoderados da cidade, com seus cabelos compridos, muito gel, jeans e casacos de couro. Do outro lado, estão os socs, com suas roupas de marca, muito dinheiro e sede de encrenca. Adoram puxar briga com os greasers e beber por distração. Na realidade, o livro não se trata bem de gangues, mas de definições sociais, como se eles nascessem presos aquilo que os denomina, caso de Darry, irmão do Ponyboy. Darry tinha tudo para ser um soc, mas nasceu pobre e, com a perda dos pais, não teve escolha senão largar tudo e trabalhar para sustentar os irmãos, deixando-os livre do reformatório.
A trama é emocionante e, aos poucos, o leitor passa a entender os personagens e a gostar deles, sem exceções. Dally, que é o mais encrenqueiro da turma, parece o mais distante. Em muitos momentos, suas atitudes são tão perturbadoras, que o leitor sente raiva dele. Mas, no fundo, Dally é incompreendido e sozinho. Ele se dá muito bem com Johnny, o melhor amigo do Ponyboy. Ao longo da história, é perceptível o carinho que ele tem pelo garoto. Isso o torna menos frio, porque demonstra que ele também é capaz de gostar e defender alguém.
Do lado dos socs, surge essa personagem atraente, uma menina rica, mas de bom coração, a Cherry. Ela ensina a Ponyboy que as coisas também são ruins para os que vivem no lado Oeste da cidade. Eles têm outros tipos de problemas, mas suas vidas não são tão fáceis quanto parecem. Ela é a primeira personagem soc a mostrar que eles também podem ser legais e confiáveis. Ponyboy já a conhecia de vista do colégio e eles se dão bem desde o início.
Mas o livro não se trata de um romance entre Pony e alguma menina. Trata-se de confiança, amizade, irmandade; de duas faces da sociedade, separadas pela cultura e pelo dinheiro. Susan, aos 16 anos de idade, conseguiu transformar uma história cotidiana em algo muito maior. Ela não escreveu sobre um greaser, ela escreveu sobre um menino, que apesar das coisas pelas quais passou, continuou puro como sempre foi. Escreveu sobre um menino que podia ter nascido soc, um menino com uma grandeza de espírito que muitos com mais dinheiro nunca vão chegar perto de ter. Ponyboy é puro. Johnny enxergava isso, Darry - seu irmão mais velho - também. Mas foi Johnny quem o ouviu recitar o poema do Robert Frost. Foi Johnny que pediu para que Pony continuasse dourado.

"Stay gold, Ponyboy. Stay gold…" - Johnny. 

Recomendo o livro não por ter me apaixonado por ele, o que realmente aconteceu, mas por achar que existe algo a mais nessa história. Algo que todos deveriam saber. Vidas Sem Rumo faz parte da minha coleção de livros e está entre os meus dez favoritos. É um livro realmente incrível. Quem ler, não vai se arrepender. Por sinal, o filme também é muito bom. Depois de mais de um ano procurando, finalmente consegui assistir e achei bem fiel a trama. Claro, tem muitas coisas que foram omitidas, mas o que importa, o principal, está lá. Logo, recomendo o filme também.

Até o próximo post.